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BIBLIOTECA EM Carnide

“A presença de certas obras provoca em mim algo misterioso. Parecem simplesmente estar lá. Uma pessoa não lhes dá nenhuma atenção especial. E, no entanto, é quase impossível imaginar o lugar onde estão sem elas. Estas obras parecem estar firmemente ancoradas ao chão. Funcionam como parte integrante do seu espaço envolvente e parecem dizer: Eu sou tal como tu me vês e daqui faço parte.”

O arquitecto suíço Peter Zumthor, galardoado com o Pritzker em 2009, deixa, particularmente neste excerto, uma forte ideia da importância que é o espaço envolvente num projecto de arquitectura. Esta preocupação foi acompanhando todo o projecto, uma vez que os edifícios envolventes tinham um carácter muito forte e assumido que iriam certamente ter efeito no desenho da biblioteca.

Estudou-se o local e imediatamente se tornou clara a presença possante da Igreja da Luz. De tal forma formularam-se duas hipóteses para o rumo do projecto. Sendo a Igreja da Luz um ícone demarcado do local, a primeira hipótese seria a criação de um edifício também forte e assumido que oferecesse um pólo igualmente “poderoso”. Por outro lado gera-se também a hipótese de criar um edifício mais sóbrio que não interferisse na solidez da Igreja.

Optou-se pela primeira hipótese.